Oportunismo barato

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Oportunismo barato. Não há outra definição para o que se seguiu ontem logo após da tragédia de Suzano ter chegado às telas de TV do Brasil inteiro. Primeiro, o oportunismo político. Rasteiro mesmo. Depois se espalhou na cobertura realizada pelas redes de televisão.

Vamos à política, aliada a demagogia.

Até o ex-presidente Lula, do retiro forçado de Curitiba, se manifestou, talvez com mensagem escrita por algum dos seguidores petistas do lado de fora, apresentando “aqueles que cultivam o ódio e o medo” como responsáveis pelo massacre na escola Professor Raul Brasil. Antes, Dilma Rousseff já tinha ido pelo mesmo caminho. Nenhum dos dois lembrou, no entanto, a tragédia de Realengo, na zona oeste do Rio que, em pleno governo petista, custou a vida de onze crianças, estudantes entre dez e catorze anos.

Aconteceu no dia sete de abril de 2011, uma quinta feira. O assassino era um rapaz de 23 anos. Ele matou os onze e se suicidou em seguida. Não me lembro de alguém culpando o partido da senhora Dilma, a presidenta. E, pelo menos que eu saiba, não existia esse “clima de ódio” que o partido dela julga ter sido o inspirador do atentado de Suzano.

Desta vez, a direita também se manifestou. O senador Major Olímpio, do PSL de São Paulo, achou oportuno dizer que o atentado poderia ter sido evitado se alguém ali, professor ou funcionário da escola, portasse uma arma pra defender as vítimas.

O presidente Bolsonaro foi mais cauteloso: “presto minhas condolências aos familiares das vítimas do desumano atentado”. “Uma monstruosidade e covardia sem tamanho”, completou. Mesmo assim, a Folha de São Paulo destacou em tom crítico, já em sua primeira página, que a mensagem só veio seis horas depois da tragédia. Eu pergunto: e daí?

Cobertura, TV e rádio

O oportunismo também apareceu nas coberturas, principalmente das emissoras de TV. O atentado provocou uma avalanche de fatos e imagens poucas vezes vista. Valeu de tudo. Tão logo surgiram as primeiras informações a repórter do SBT, esbaforida, anunciava, ao vivo e em tom triunfante, ter sido “a primeira a chegar”. A guerra começou diante da percepção de que os pontos do ibope subiam. As imagens, quanto mais cruéis, quanto mais impactantes, mais pontos. Uma regra que valeu pra todas, Globo, SBT, Record e Band. Faltou cuidado, respeito.

Gostei mais da cobertura das emissoras de rádio. Foram mais discretas. Mais eficientes. Destaque para a Jovem Pan e CBN.

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