Desembargador não vê nada de comprometedor nos diálogos da Vaza Jato

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Descobri nesta quinta-feira, depois de uma prazerosa conversa com o desembargador Henrique Nelson Calandra, que temos várias coisas em comum, a começar pelo fato de termos nascido no importante ano de 1945, quando o mundo comemorava o final da segunda guerra. Ele em julho, eu em outubro. E ambos temos várias lembranças de Araçatuba, Birigui e Buritama, no interior de São Paulo, onde o então juiz de primeira instancia, o dr. Calandra, exerceu o magistério. As três comarcas se inserem na região da Grande Guararapes (!), no noroeste do estado. Calandra nutre admiração profunda pelo saudoso promotor Dante Buzana, “autoridade competentíssima em Direito Penal e autor de vários livros” que também passou por nossa região mantendo ligações profundas de amizade com o pessoal de minha terra, incluindo os Henning.

Lembranças de Cumbica

O desembargador Calandra, que foi presidente da Associação Paulista de Magistrados e da Associação dos Magistrados Brasileiros, também passou por Guarulhos, pela Base Aérea de Cumbica, para o serviço militar, antes de ingressar na Pontifícia Universidade Católica, a Faculdade de Direito da PUC. Apresentou-se na Força Aérea, a FAB, turma de 1964, ano complicado… Naturalmente, como este repórter, ele se lembra da região, época em que a vizinhança da base era toda formada por chácaras acessadas por estradas de terra, onde não era raro encontrar vacas e cabras pelo caminho.

O desembargador, aposentado há três anos, conta coisas incríveis da carreira. Como o caso do réu em Buritama, acusado de vários homicídios, que teimava em se fingir de deficiente mental para fugir da condenação. Depois de saber que o juiz o enviaria para o Hospício do Juquerí para internamento em definitivo, apressou-se a garantir que estava curado… “Milagre, doutor”…

— O sr. Tem ideia de quantos processos passaram por suas mãos nesses anos?

— Pessoalmente, na minha conta, mais de meio milhão de pessoas…

Reparem: quase metade da população de Guarulhos.

A conversa com o desembargador rendeu uma boa entrevista a ser exibida na próxima sexta-feira pela Rede Brasil de Televisão. Sem rodeios, Henrique Nelson Calandra falou da Operação Lava Jato e do “combate sem tréguas à corrupção”.

— Nada do que vi até agora naquilo que está se chamando de Vaza Jato compromete o juiz Sergio Moro. E nem os procuradores de justiça. Em todos os sentidos, o que se viu até agora são coisas normais que vivenciei na minha vida de juiz todos esses anos.

Palavras de quem sabe do que está falando.

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