Coluna Livre com Hermano Henning

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Quando criança, lá em Guararapes e Valparaíso, no noroeste de São Paulo, a gente dava o nome de arapuca a uma armadilha para atrair e prender passarinho. Jogava farelo de arroz embaixo de uma gaiola que despencava quando a presa pisava nos gravetos, cuidadosamente colocados no interior da armadilha. Era o alçapão.

Se algum instituto de pesquisa resolver fazer um levantamento sobre como o brasileiro recebeu a notícia de que Neymar é ou não culpado das acusações de estupro, levantadas pela modelo que dormiu com ele num hotel de Paris, me arrisco a afirmar que a grande maioria decidirá que o craque brasileiro caiu numa arapuca.

Politicamente correto

Por tudo o que se ouviu em torno do assunto, ontem, é difícil chegar a um palpite. O brasileiro anônimo, surpreendido na rua, no entanto, não vai se furtar a dizer com convicção que Neymar caiu de alegre. Ele pode até acrescentar: é mais um que entra para o time que já tem, entre outras estrelas do futebol, a maior delas: Cristiano Ronaldo.

Não sendo anônimo, eu recomendo cuidado.

O politicamente correto é afirmar: vamos deixar para a Justiça decidir. Isso é a investigação que vai apontar.

Foi o que ouvi da maioria dos comunicadores, principalmente no rádio.

Já com as primeiras notícias sobre o assunto, pela manhã, ninguém queria se arriscar. Com exceção da TV Band que, abertamente se pronunciou a favor de Neymar, levando inclusive o pai do craque para defender o filho numa entrevista exclusiva de estúdio.

Pra se defender de um crime, Neymar se arriscou a cometer outro divulgando fotos íntimas da modelo em seu Instagram. Ao que seu pai justificou: “É melhor responder a um crime de internet do que de estupro”. Pegou mal.

Um dos que não quiseram se arriscar foi Tite.

Ao se pronunciar em Teresópolis onde prepara a seleção para enfrentar o Catar na quarta-feira, o técnico brasileiro foi cauteloso. Pediu “um tempo para as pessoas julgarem os fatos. O que posso afirmar são os três anos de convívio com o Neymar. Os assuntos pessoais que tratamos foram sempre leais e verdadeiros. Eu não posso julgá-lo”. Que tal?

Entre os jogadores, o apoio ao companheiro foi unânime, mas cuidadoso. Com receio do rótulo de “machista”, as opiniões para os jornalistas foram cautelosas. Nenhum deles contrariou o craque, só que “a última palavra é da justiça”.

Sem medo, longe do microfone, a concordância com a versão de Neymar foi total entre os jogadores: “Ele caiu numa armadilha”. Ou arapuca.

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