COLUNA LIVRE

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Existe uma expressão muito em moda atualmente para apontar decisões erradas que, apesar de se mostrarem de início altamente eficientes, acabam dando resultado contrário. Há um bom tempo, se ouvia frequentemente que “o feitiço vira contra o feiticeiro”. Agora, diz-se, algumas vezes com muita propriedade, que fulano “deu um tiro no próprio pé”. Dou um exemplo nosso, aqui de Guarulhos.

Um certo dia, uma funcionária da Câmara de Vereadores, que recebe seus salários sem precisar trabalhar por ter sido eleita para a diretoria do Sindicato dos Jornalistas, insistiu junto aos funcionários da diretoria de Comunicações e TV Câmara, para dar entrada num processo na Justiça do Trabalho exigindo o cumprimento de cinco horas diárias, um direito da categoria. O Sindicato daria todo apoio jurídico, como de fato deu.

Além de diminuir a carga de trabalho, os funcionários públicos, jornalistas, vislumbraram o direito de ganhar horas extras durante todo o tempo que exerceram a função nas oito horas diárias conforme estabelecido no concurso prestado.

A demanda foi aceita. Só que…

A partir de agora, a justiça decidiu que os jornalistas da Câmara terão o salário reduzido na proporção em que suas horas de trabalho também foram reduzidas, já que foram admitidos por concurso com a obrigatoriedade das oito horas diárias.

Elementar e bastante justo dirá o cidadão guarulhense, já que é ele quem paga o salário de todo esse pessoal.

Foi ou não um tiro no pé?

Outro exemplo.

Ontem a Folha de S. Paulo estampou em manchete de primeira página a manifestação do ex-diretor da empreiteira OAS, Léo Pinheiro, tido como testemunha chave para a condenação do ex-presidente Lula por corrupção no caso do tríplex do Guarujá. E o que disse Léo Pinheiro?

Numa carta ao jornal, Pinheiro, também preso pela Lava Jato, enumerou todas as provas que confirmaram o pagamento de propina no caso do tríplex e do sítio de Atibaia.

“A carta é devastadora para Lula”, interpretou o site O Antagonista, por deixar bem clara a “farsa lulista” que quer livrar o ex-presidente, favorecer os políticos e empresários já presos e dar tranquilidade para os acusados de corrupção ainda soltos.

A mensagem à Folha de S. Paulo respondeu à matéria com os supostos diálogos dos procuradores, obtidos pelo Intercept, colocando como suspeita a atuação deles e do então juiz Sérgio Moro.

Uma publicação que, se teve realmente o objetivo de fortalecer a campanha do “Lula Livre”, pode ter sido, como a gente viu, “um tiro no pé”.

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